Guia Básico sobre Som (RMS, PMPO, Impedância, Sensibilidade etc);

18/10/2019 Dicas comentarios
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Kelen Francioni
Redator da So Fast

Aprenda sobre som e não erre na hora de comprar ou montar seu dispositivo de áudio!


Elementos e características de aparelhos de som: Um guia básico para você ficar por dentro do que são alto-falantes,impedância, potência, SNR e THD.

 

Os mais diversos tipos de aparelhos de som são integrados por uma série de especificações, as quais são responsáveis pelo desempenho do mesmo. Características que definem a qualidade sonora, incluindo a exclusão de ruídos, capacidade de propagação de som, sensação agradável para audição, dentre outras.


E, para contribuir com mais expertise na hora de você comprar o seu aparelho de som, sejam caixas de som, mini System, home theater, dentre outros; nós da So Fast preparamos um compilado de informações que podem lhe serem úteis para esse fim. 


Vale a pena ficar de olho e saber um pouquinho mais sobre os elementos que serão responsáveis pela qualidade da sua experiência sonora. Assim, na hora de comprar caixa de som, por exemplo, você vai acertar mais facilmente na escolha do produto, alinhado ao que você busca. Confira!

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→ Potência PMPO

São muitos os números misturados com letras na descrição de produtos de áudio, que muitas vezes só fazem confundir o consumidor. E por incrível que pareça, em alguns casos, isso pode significar absolutamente nada.

A exemplo, você muito provavelmente já se deparou com escritas como 3600W PMPO ou as vezes só mesmo o número "3600W" em certos aparelhos de áudio para comprar. Pois bem, estas e muitas outras colocações de letras e números misturados não tem nada a ver com a qualidade, tal como a real potência ou volume que o aparelho é capaz de atingir e, estão ali na maioria das vezes apenas para “encher informações” e confundir quem quer comprar, usando isso como motivos para capacidade de performance.

Quanto ao termo "PMPO", este é uma medida que fora criada pelos fabricantes com o intuito de agregar um poder que não existe no aparelho. Usando de combinações numéricas apenas para funcionar com uma vitrine não muito digna ao que o produto consegue ou não oferecer.

Ainda que no começo o termo “PMPO” estivesse ligado à potência de pico, com o passar do tempo novas formas de medir o "PMPO" foram criadas, de modo que esta acabou se tornando uma medida obsoleta e sem precisão. Pois agora, é possível que cada fabricante tenha o seu modo de medir os chamados "Watts PMPO".

Basicamente, saiba que quando você ler em um produto de áudio o termo PMPO, este não é preciso em questão de potência, ou melhor, não tem precisão alguma e não pode ser tratado como um parâmetro de comparação entre sistemas.

 

→ Potência RMS

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Agora sim, a potência que de fato deve ser considerada e é relevante no quesito potência do aparelho é o termo RMS.

Na maioria das vezes o RMS é um número pequeno que, em raras exceções ultrapassa os 100W. Porém, este é um padrão de medida que é mundialmente aceito para se referir a potência de amplificadores, receivers e outros aparelhos deste segmento, ou seja, esta é uma especificação que deve-se conferir, pois ela tem a ver com a capacidade do aparelho.

Em termos mais técnicos, a potência RMS é tida por meio de um sinal de apenas uma freqüência - 60hz para subwoofers e 1khz como padrão internacional - com a mesma amplitude ao ser reproduzido. Neste, o que se considera são os valores alcançados antes do amplificador distorcer - processo chamado de “clipagem”.

O processo consiste em ligar um resistor com a impedância (ohms) desejada (geralmente é de 2 à 16 ohms), logo, quanto maior a impedância, menor será a potência RMS, após ligado o resistor, então o amplificador é colocado para reproduzir a freqüência para teste em onda senoidal, por meio do qual torna-se possível medir a tensão do resistor, com um multímetro True RMS. A fórmula utilizada é:

Pot= V² / R
V = tensão medida no voltímetro
R = resistência utilizada


Tensão medida no multímetro = 20 volts, com um alto-falante de 8 ohms

P = ( 20² / 8 )
P = ( 400/8 )
P= 50 W RMS

 

Vale a dica: Como saber que a potência está em excesso no alto falante?

Dentre alguns jeitos, você facilmente pode descobrir se exagerou na potência aplicada ao conferir se o alto falante está “batendo bobina”. O que isso quer dizer? Simples, se a bobina está batendo no fundo do alto falante. Outra forma de conferir se a potência está em excesso é prestar atenção se o som começar a distorcer - contanto, esse ocorrido pode não ser culpa do alto falante em todos os casos, às vezes pode ter a ver com o amplificador que está entrando na região de distorção.

 

→ Sensibilidade​


Um parâmetro presente em todo alto-falante é a Sensibilidade, o que nada mais é do que um quesito diretamente ligado ao volume. Seu padrão de medida consiste em 1W e 1 metros de distância, em outras palavras é a pressão sonora (SPL).


Essa pressão sonora é em dB obtido a 1m de distância do qual um falante é capaz de gerar quando recebe um sinal de 1W RMS. Para exemplificar: Um alto-falante com sensibilidade de 86dB consegue gerar 86 dB de volume a 1 metro de distância com 1 W RMS.


→ Impedância

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Mais um parâmetro que é importante se considerar nas caixas de som é a Impedância, esta muda de acordo com a frequência - mas a fim de uma compreensão mais clara, é válido tratar apenas a nominal das caixas de som - que comumente varia de 2 a 16 ohms e deve estar combinando com impedância do receiver e/ou amplificador em questão.


Interessante prestar atenção, pois caixas de 2 ohms ligadas em um amplificador que suporta no mínimo 4 ohms, por exemplo, podem queimar facilmente - tanto as caixas quanto os amplificadores. Não tem problema em ter caixas com impedância nominal maior do que a mínima do amplificador, mas nesse caso, as caixas vão receber menos potência, como na explicação a seguir:

Caixas de 8 ohms nominais → Receiver 4 ohms, 100W RMS

Ligando este falante neste receiver, ele irá no máximo receber 50W de potência RMS

Lembrando que nem sempre a potência dobra ao se diminuir a impedância pela metade, isso vai depender do projeto do amplificador.

 

→ Potência RMS x Volume​

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Okay, até aqui já sabemos que a sensibilidade é um dos parâmetros dos alto-falantes, mas vale deixar claro que estes valores não são lineares. O que isso quer dizer? Bem, o dobro de Watts RMS não quer dizer o dobro de volume reproduzido pelo alto-falante, pra falar a verdade, quando a potência é dobrada, faz-se necessário adicionar apenas 3dB ao alto-falante, segue-se:


Alto-falante com 86dB sensibilidade ao receber 1W reproduzem 86dB de SPL

Alto-falante com 86dB sensibilidade ao receber 2W reproduzem 89dB de SPL

Alto-falante com 86dB sensibilidade ao receber 4W reproduzem 92dB de SPL

Alto-falante com 86dB sensibilidade ao receber 8W reproduzem 95dB de SPL

Quanto à alto falantes de sensibilidades diferentes:


Alto-falante com 86dB sensibilidade ao receber 8W reproduzem 95dB de SPL

Alto-falante com 89dB sensibilidade ao receber 4W reproduzem 95dB de SPL

Deste modo, há de se entender que quando é adicionado 3dB a mais na sensibilidade, o segundo alto falante é capaz de reproduzir sons com a mesma intensidade sonora que o primeiro e com a metade da potência. O que é algo bem interessante para  sistemas que não possuem muita potência e, quando equipados com alto falantes de alta sensibilidade tornam-se capazes de atingir os mesmos níveis de SPL que outros sistemas de maior potência.

 

→ Resposta de Frequência


Para contextualizar, há de se dizer que a audição humana é capaz de perceber sons que variam de 20 à 20.000Hz, de modo que um alto-falante de boa qualidade seja capaz de  reproduzir toda essa faixa de freqüência. Contudo, isso é em teoria, porque na prática é bem mais difícil para apenas 1 alto-falante reproduzir todas essas frequências com perfeição. Ainda tem os chamados "fullrange" que se propõem a realizar esse trabalho, mas são raros os casos em que eles de fato conseguem.


Neste contexto estão presentes alguns tipos de alto-falantes que são especializados em faixas de freqüência - tem os responsáveis por graves, os médios e os agudos. 


Com isso, pode-se trabalhar com as seguintes categorias: Subwoofer (graves), woofer (médios), tweeters (agudos). 

Mas vale o adendo de que existem várias outras subcategorias como sub-graves, médios-agudos e etc, que fazem parte da transição de um tom para outro.


Partimos falando sobre os agudos, nos quais os Tweeters são falantes que comumentes de estrutura pequenas movimentam-se pouco, bem como também movimentam pouco ar. Estes por sua vez, se responsabilizam pelas frequências agudas (altas), e por esse motivo é que se movimentam muito rápido e em espaço pequeno, indo geralmente de 5.000 Hz até os 20.000 Hz.


Para melhor aproveitamento, como na faixa dos agudos as ondas sonoras são bastante direcionais, é interessante que o tweeter fique na altura do ouvido de quem está ouvindo o som.


Quanto aos médios, estão presentes os woofers, que vão de 80 ou 120hz até os 5khz (5.000Hz). A maior parte da informação, bem como reprodução da nossa fala ficam a cargo dos woofers. Este possui estrutura maior que os Tweeters e movimentam mais ar, no entanto, são menores que os subwoofers e também são responsáveis por produzir ondas menos direcionais que os tweeters  - ainda que direcionais.


Ainda tem os graves -  de 80hz para baixo estão os subwoofers que, com tamanho robusto de 8 polegadas (até alguns modelos de 18 ou mais) são capazes de movimentar grandes quantidades de ar e por isso necessitam de caixas acústicas bem maiores que os demais falantes. São os subwoofers que tornam possível a impressão de que está tudo tremendo, bem como as batidas de certos tipos de músicas e ainda produzem as ondas menos direcionais - sendo mais difícil de perceber de onde vêm os sons graves.


E então com a união desses 3 tipos de alto-falantes torna-se possível montar uma caixa de som com capacidade de reproduzir todo o espectro audível humano. Mas deve-se ser cuidadoso para que estas frequências não fiquem mais altas que outras, pois quando isso acontece, fica a impressão de som abafado ou estridente. Caixas de som com a presença dos 3 tipos de alto-falantes são chamadas de 3 way.


Mas ainda existem as caixas 2 way, as quais são caixas de som baratas e também são as mais comuns no mercado. Estas por sua vez, conseguem alto nível de qualidade sonora, mas por outro lado, os graves mais baixos não serão considerados. A caixa de som ideal consiste em ter uma  resposta plana sem grandes variações de pressão sonora de 20hz à 20khz.

 

→ THD - Distorção Harmônica​

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Mais um elemento interessante de saber mais sobre é a distorção harmônica total (THD), a qual é medida em porcentagem e seu nível ideal consiste em quanto mais baixo melhor. A distorção é quem faz, por exemplo, o sinal senoidal ficar achatado, processo esse que faz com que se perca qualidade. Aparelhos com THD menor que 1% são considerados Hi-Fi, ou seja, de alta fidelidade.


Deste modo, pode-se dizer que é muito melhor ter um amplificador que consiga entregar 100W à 4ohms com 1% THD do que um outro que entrega 100W à 4 ohms com 10% THD. Até porque a distorção é uma das principais razões para os alto-falantes queimarem.


Ainda vale deixar claro que a porcentagem de 1% é o limite máximo de distorção aceito  pela maioria das pessoas, em alguns casos as empresas divulgam a potência com 10% de distorção, e isso de fato é um número muito alto e que certamente vai lhe causar incômodos.

 

→ SNR - Signal-to-Noise ratio

Por último, mas não menos importante, o SNR é um dos parâmetros que é mais deixado de lado, mas não devia, pois é ele quem mede o quanto de ruído está presente. E, além de medir esse ruído - quanto de interferência o sistema tem - ele também é responsável por aquele chiado que se ouve quando o sistema está ligado, mas não está reproduzindo nada.

Ou seja, quanto menor, melhor, afinal de contas, esse ruído vai acompanhar o volume. Mais um adendo é de que geralmente esse número é negativo na escala db. E este parâmetro é chamado de relação sinal-ruído e abreviado como S/N ou SNR.

Fonte: Fórum Adrenaline - Uol.

 

E aí, curtiu nossa matéria? Nosso intuito é esclarecer alguns termos que confundem a cabeça do consumidor na hora da compra. Esperamos que estas informações sejam úteis na hora de comprar o aparelho de som ideal ou mesmo na hora de você montar o seu próprio sistema de som.


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